sábado, 29 de agosto de 2009

A vida (minha) é como uma garatuja.


Só que o grau e verdade do que desenho não se compara nunca ao de uma criança.
A minha garganta dói tanto que não tenho vontade de fazer nada, e sempre que não tenho vontade pra nada eu escrevo, portanto, depois de muitas horas ausentes deste treco aqui que está sem título ainda e por enquanto, volto a partir de agora a postar frases tortas somente porque não tenho nada melhor para fazer. Na verdade tenho sim, mas sabe como é...

sexta-feira, 31 de julho de 2009

só eu sei como chovia aquele dia. os pés molhados, os dedos dos pés molhados, dava pra sentir congelar. fazia sol, eu lembro, fazia sol e chovia torrencialmente em cima de mim. eu não sinto muita fome, não preciso de muito espaço, só uma janela pra poder soltar a fumaça do cigarro, uma privada e um canto pra dormir, quem sabe uma coberta, não se incomode, fico com esse lençol fino aqui.

não adianta pensar muito, desejar muito e não esquecer. são tudo vícios. e a gente que deseja e que pensa e que deseja mais ainda porque deseja pensando a gente tá é fodido, não vê? e a gente quando não esquece a gente fica feio, as pessoas mesmo te dizem na cara como tu tá feio, mas outro dia carmem falou do quanto eu estava bonito e eu disse que eu era bonito mas agora estava leve.

o espelho nos dá sustos horríveis e eu sempre tenho medo de ver no espelho do banheiro a cena daquele filme, daqueles filmes, aquelas cenas de sempre em que se olha no espelho e tem um fantasma atrás. deus não existe, mas fantasmas sim? outro dia quase caio fugindo de um que eu alimento no arquivo-morto, aquele sótão fedido a mofo que eu visito dia-sim-dia-não.

mas o susto do espelho: fui brincar, sorri pro espelho e não consegui dormir, há quanto tempo não parava e fitava aquele estranho que eu conheço tão bem de dentro mas que de fora me espanta, esse estranho que eu via e era eu mesmo envelhecendo.

chovia tanto, tanto, só chovia e eram águas barrentas até as canelas, até os joelhos, o saco gelado e a água no pescoço, meu amigo, minha amiga, a água no pescoço e eu pensando em como deve ser triste morrer carbonizado, como são as coisas, a água chegando e eu pensando no fogo, veja como são as coisas.

chovia aquele dia, mas fazia sol, e era um sol de doer, não estivesse chovendo teria sentido o pé torto aquecer sobre a borracha que derreteria no asfalto. fazia um sol dos diabos e chovia torrencialmente em mim. isso aquele dia. hoje também chove, sabia? olha pela janela e me diz que faz sol, nem que seja de mentira. um sol nem que seja de mentira! um sol de mentira, um sol.

quarta-feira, 29 de julho de 2009

e tem gente que reclama que chove há tanto tempo, há tanto tempo que chove que revi uma cena do cem anos e os peixes atravessavam a casa pelo ar. atravessavam ou poderiam atravessar, não me lembro. a gente reclama que não tem sol, a gente acha que amanhã o dia limpa e o jornal me encheu de suspeitas quando disse que a umidade ia diminuir.

eu faço tudo errado e estou errando agora, nesse exato momento brilhoso dessa manhã cinza de quarta-feira. eu faço tudo errado porque eu gosto, porque eu sei que dá. certo é duvidoso, primeiro lugar com medalha pintada de ouro e um abraço da mamãe, do papai, da tia e da professora. era domingo e eu corri até quando pude e cheguei em último lugar e ninguém veio dizer seu merda, ninguém veio dizer pra tentar de novo.

era junho ou julho e há quantos anos é junho ou julho, repetidamente. por isso a gente espera o sol, o céu limpo e algum vento gelado que venha chicotear gostosamente as orelhas, só pra lembrar que é junho ou julho ou era junho ou julho naquela vez que. fazia frio.

se eu soubesse de astrologia, o que faria com isso? se eu soubesse de galanteios e de paixões.

eu ando voando baixo, mas voando. e o vôo é tão só meu que dá vontade de compartilhar: tá aqui, voa um pouco junto. mas não. não deve vir. e se vier, o meu aviãozinho fica pesado e cai, ele voa baixo. ou não. uma corrente de ar quente?

eu vi um raio de sol. EU VI A PORRA DO SOL DEPOIS DE TUDO ISSO!

e faz vento dentro de mim.

terça-feira, 14 de julho de 2009

aaaaaaaaaah! eu não queria pular a ordem, não queria, mas eu precisava, porque esse espaço é tão bonito e me faz sorrir hoje e me fez sorrir num domingo de céu de chumbo umas semanas atrás.

mas agora que a merda tá feita e eu já comecei a escrever, vou talvez fumar um cigarro inteiro (37 segundos) pensando no porquê e pensando, como dizia uma psicóloga gostosa de quando eu tinha dezessete anos, no motivo: "não pense em porque você está triste, pense em para quê você fica triste". eu pensava exatamente em porque ela não abusava de mim. enfim.

é como um peso que vai, entende? um peso que estava aqui (estava?) e que de repente foi embora, sem nem se despedir. e eu tive um sonho horrível que vou ter que engasgar pra não dar com a língua nos dentes, principalmente porque tudo que é tão simbólico e óbvio é de foder com a minha semana, por isso deixo minha semana em paz e sigo cauterizando o sonho de merda que eu tive exatamente no momento em que dormir é mais gostoso. e eu dizia, olhando nos olhos dela: "tudo bem tu ficar aqui, mas ele não entra!" vai entender.

e que tudo se resumisse a essas emoções estranhas que a gente consegue sentir nas segundas-feiras de sol, sabe? que jorge ben fosse ouvido mais - e que houvessem caixas de som espalhadas pela cidade e não tocassem somente a inaudível balela clássica na pracinha do teatrinho: que tocassem elvis & roll, mesmo que eu não pague um pau assim pro elvis, mas ia ser divertido.

calculando, agora, que as segundas-feiras emocionadas sejam apenas um resquício do sábado embalado por uísque, cerveja e cocaína. e tudo volta a ser assim. tudo volta a ser normal. e no final eu só consigo gritar

DDa, APARECE! (riso nervoso)

porque sorrir sozinho não faz o menor sentido.

domingo, 5 de julho de 2009

eu fui, tolo, sorrindo só pra provocar. e consegui! consegui um vermelho no rosto e um amarelo nos dentes que ainda bem que tava escuro pra se ver. eis que eu retiro, então, o que queria ter dito e infelizmente escrevi. eu retiro, refaço, desfaço, apago por acaso? eu enfrentei o domingo, mas ele não me enfrentou. e eu não me enfrentei enquanto encarava o domingo, os dentes apertando os lábios.

"é a tua língua solta, língua nos dentes de sempre". e eu o que faço? arranco os dentes? bifurco a língua lagarteando verdades? me calo?

não. sem calar. sem parar. é ainda o que vale a pena, antes de tudo. mais do que tudo. sempre. sem calar, porque quem cala consente, sente e toma remedinho pra acordar, remedinho pra dormir, cigarrinho atrás do outro pra ocupar a boca morta.

MAS EU FALO COM FUMAÇA NA BOCA, NO NARIZ, NA GUELA E NOS PULMÕES!

E não tem perfume que aplaque o mal estar do cheiro de cinza velha, baby.
Ta saindo já? Quando chegar lá faz aquele tipo nenhum...sabe como é? Ainda mais pelas 16 hs.
Este é sempre o que funciona sempre. Ela vai sorrir e você também. E talvez o domingo seja mais emocionante do que poderíamos imaginar.
O meu está ficando colorido apesar do gelo.
Filho faz essas coisas com a gente...
Ai que bom!
O café pode ser solúvel, desde que seja com leite...

Que o domingo seja então mais que café com leite.

Ou o domingo é ou não é.

Nada de mais ou menos hein? ;)
pois eu vou sair. às 15:10. eu chego lá perto das 16 e o que eu faço? abraço e beijo, como homem que eu deveria ou sorrio tímido e charmoso (?) e conto algo que a fará sorrir? arrisco dizer que vou sair por mim, porque é domingo, e por ti, porque é domingo e por todas as pessoas com quem já compartilhei este dia que nada tem de especial. e nem estranho que aquele lá tenha descansado em domingo: não tinha nada pra fazer, filho? então eu vou pro outro lado, não vou descansar. tenho a semana inteira pra isso, pra descansar do sábado e do domingo. se eu ainda tivesse bebido ontem, se eu ainda tivesse amado ontem, daí sim que o domingo seria esse dia de descanso, como aquele lá. mas aqui estou eu. não?! sim, aqui estou e é domingo e o café é quente e forte e com leite e é café solúvel, pode ser? e é domingo e comprei cigarros e vou sair por mim e por ti, só pra rir daquele lá.
Domingo gelado, palavras geladas eu também petrificada.
Poderia buscar o cigarro...
...e talvez pelo caminho eu derretesse um pouco e ia ser tão bom.
Mas é claro que eu não vou.
Porque em domingos assim escuros não me arrisco a colocar os pés pra fora da porta, apesar de saber o quanto deveria fazer isso.
Mas de qualquer forma dividiremos nosso forte café virtual durante o dia e eu, continuarei sem cigarros matando formigas desesperadamente e recortando papeizinhos pra colar em folhas brancas esperando que alguma imagem apareça milagrosamente e que seja diferente desta vez...
...uma imagem que faça com que eu acredite que realmente posso parar de fumar.
está aqui o café forte com gosto de relembrança - um inverno há alguns anos ou exatamente esse inverno de hoje - e está aqui o teu cigarro. mas como?

eu dormi apesar de tudo. eu dormi esperando amanhã, esperando quando, crente de que chegaria quando eu acordasse: me depararia com um mundo domingo de sol e todos estariam lá, todos que eu tivesse amado de alguma forma no meu próprio final de peixe grande.

eu dormi e o telefone tocou. eu diria "boa noite, dorme bem". eu diria talvez alguma palavra no estranho idioma das pessoas que falam porque não têm nada melhor a fazer e não se olham no momento da palavra.

(uma lacuna no terceiro travesseiro, na vigésima terceira hora, no sétimo dia da semana)

o vazio espera algum preenchimento, não é o que se diz?

domingo e faz frio.

04/06/2009 Me permiti uma imagem.


sábado, 4 de julho de 2009

Eu ia demorar.
Eu ia.
Porque eu cansei da palavra hoje. Da tua, da minha e de qualquer outra.
Hoje a noite vazia me espera e...
...eu cansada da palavra.
-O amargo está por vir apesar de toda literatura-
Faz um café e me dá um cigarro que o meu acabou?

sexta-feira, 3 de julho de 2009

eu sei que ando distante. é que os olhos dela são duas borboletas. e eu abraço um abraço (imaginário) quente e confortável. sabe que horas são? daí que minhas costas dóem e eu me canso da palavra. mas a gente, escreve, né! a gente sempre volta a escrever, porque eu tava pensando e cheguei à conclusão que a gente escreve porque não tem mais nada interessante e bonito e gostoso pra fazer. tivesse, tava lá fazendo! mas como as minhas costas dóem e eu não tenho lá muito o que fazer de bom, fico aqui dando voltas em torno de um assunto que não tomaria três linhas se eu fosse direto. é esse o segredo da literatura: ficar andando em círculos. meu irmão me contou outro dia que a gente anda naturalmente em círculos porque uma perna sempre é mais ativa que a outra. então se a gente se perde num campo aberto onde não dê pra enxergar nada por causa da neblina e insistir em caminhar, a gente vai andar em círculos. disse ele que isso aconteceu e eu realmente acreditei, mas acho que o andar em círculos dele não tem muito a ver com o meu andar em círculos. eu falo de outra coisa, eu falo disso aqui, ó! que tá sempre na nossa frente e gente volta e meia faz de conta que não vê: o espelho. narciso devia ser muito bonito mesmo, aquele panaca! e agora que eu sou gente grande comecei a ler joyce e tenho gostado um tanto. tive de deixar o hesse por causa do joyce. e eu nunca li um hesse inteiro. mas eu sempre volto, sempre folheio novamente o lobo da estepe e agora certamente que farei o mesmo com o sidarta, que me soa um grande livro. e é isso, tá aqui a prova: andar em círculo na literatura, na vida, no amor. é que a terra é redonda, né! vai ver é por isso...

quarta-feira, 1 de julho de 2009

Eu guardo livros quentinhos cheios de palavras-abrigo e frases fronhas cheirosas que juntei para usar nos invernos. Meus livros quentinhos guardam todas as minhas flores mortas.
(Uma eu ganhei daquela lá).
Guardam poemáscaras para possíveis asfixias. E com tudo isso eu fico bem.
Mas...um feriado no meio da semana eu também quero. Um dia doce e aqueles olhinhos de girassol...aquela ¼ parte escura de alma...ai ai.



Os olhos dela devem procurar palavras, como meninas saltitantes com redinhas caçando borboletas.
(silêncio)

terça-feira, 30 de junho de 2009

eu quero o quente e descobri que meus livros são frios, que minhas histórias são frias e minha vida uma sempre nevasca. eu quero o quente do chocolate-quente, do misto-quente, das bananas quentes com caramelo num café da manhãzinha bem cedo numa casa gelada de onde emana calor. não quero escreveu não leu o pau comeu. um feriado bem no meio da semana que eu inventaria para que nele vivessem somente dois corpos quentes encobertos pelo sempre frio do sempre inverno. eu quero o quentinho de um canto onde a palavra não chega, mas chegará. onde a palavra não deu, mas dará.

eu tenho poemas entalados na garganta que não podem ser xingados. ando meio rock brega. rockzinho brega dos anos setenta com o cabelo lambido e flor na lapela. onde anda o olho dela?
Eu acho que mais vale continuarmos imersos em leitura amigo Labes.
Porque se não iremos nos perder com tanta superfície.
Aí, como será nosso inverno? (risos)
Tudo tem palavra e tem leitura.
Fora isso, só há morte absoluta.
E morrer absolutamente é abandonar também toda a tristeza. Aí não dá.
Dá?




A palavra dá?

sexta-feira, 26 de junho de 2009

eu não quero o norte. acho que pelo tesão que eu sinto sempre que vejo o cruzeiro do sul. eu dizia, um dia: "tá vendo? pra lá é porto alegre". já não digo, nem direi mais. há um silêncio quando se perde a si: a palavra, parece, precisa de gente crente.

o cheiro de cigarro velho de quantos anos atrás. os livros na estante, a poeira sobre os livros, sobre a poeira talvez algum sentimento.

DDa, não vê que de nada adianta viver imerso em leitura? é só pra gente ser mais assim. parece que sim. e como tu bem diz: graças a deus.

procurando, procurando, indo, indo - vindo, quem sabe, por que não?
procurando talvez uma garrafa de trago,
talvez somente um sonho bom.

quinta-feira, 25 de junho de 2009

A gente está sempre olhando para o norte quando a gente sabe onde está. (Não é assim?)
-Procura teu norte!-
Quando não tem o pão na mesa nem o café forte, a gente não sabe onde está.
Aí recomeçamos a desenhar novas horas em giz pastel, sem chuva, sem enchente, acreditando que, em breve, saberemos onde estamos.
Lambemos estas horas então, e colorimos linha por linha nossas pálidas páginas...
e foi assim - antes de mudar de assunto ou me afogar na umidade da minha noite - : chamava-se, quem sabe o nome?, chega em casa do trabalho, cansada, prepara tudo, falta um mês. chega em casa, a coitada, toda molhada da chuva. porta aberta, luz acesa, que será? na cama, o safado! na cama com a parenta da vizinha. ela, coitada, toda molhada de chuva e choro. dali a um mês, imagina? vestido comprado, encomendou o bolo. que fazer com tudo isso? o rio! o rio cheio da enchente eterna - não terá fim essa desgraça? - ali na frente dela, na ponte, na frente dela, o rio. e foi assim:

enxoval
enxovia

(...)

tô pensando aqui em como se escreve. antes podia pensar no que escrever, mas depois que parei de olhar os botõezinhos enquanto digito, sobra tempo pra pensar em como. e por quê? doce de abóbora com coco (daqueles caseiros, por favor), nata, pão de batata e café com leite sem açúcar. café forte.

e pensar que daria pra dizer: o norte está exatamente pra onde a gente tá olhando. sei lá.
Culpo-te. Culpo-te!!! Porque chovia...chovia muito. Sempre choveu. E mesmo sendo moça lembro-me dos milhares pingos de chuva. Lembro também do rosto do meu pai quando penso na chuva, e logo lembro também que não sou mais tão moça assim. Por mais que queiras acreditar. Na verdade que já nasci uma velha de pernas bambas.

Mas enfim...
Nos tempos em que pingoteava somente, a umidade do subúrbio não ameaçava me matar.
Era simplesmente “musguento” e bom.
Hoje não.

É...Eu sempre desvirtuo tudo.

Graças a Deus.
desculpa, desculpa! mas a culpa não é minha, então não desculpa. me culpa, me culpa!
(e recomeça a ladainha)

havia um tempo, um tempo de palavra, um tempo em que se cantava
que eu (e alguns dos meus) dizia que não chovia
mas pingoteava.

é essa então a palavra que não é velha, mas moça? brilhante como louça ou sol em domingo com bolo de aniversário muitos anos atrás domingo muitos anos atrás esperando as visitas que não vinham?

quando não vieram as visitas, aquele sol!, decerto que chovia:
certamente que chuva, em algum lugar, havia.

quarta-feira, 24 de junho de 2009

Não desvirtua o caralho.

Enxovia.



Ah!

Obrigada.

terça-feira, 23 de junho de 2009

não desvirtua!

mas falando em palavra, tem uma que me engasga. pra mim, era qualquer coisa nojenta, pegajosa, fedida. é ainda. não pelo fato, não pelo fluxo: pela palavra. entende? juvenília é o nome que se dá ao primeiro poema escrito pelo poeta adolescente. não é ótimo, mas flui. agora menarca é uma ofensa! uma ofensa da língua. menarca é a palavra velha que não tem tesão no meio das pernas, não. fala primeira menstruação, fiozinho de sangue, minha mocinha virou mulher do papai e tal. mas não!
todo mundo é feio falando farofa.
Tu também deves ser bem feio falando ...

Mas com certeza teu amigo é pior. Muito pior.
conheço um cara que tem freio na língua e quando diz farofa é engraçado, mas é feio.
Há final, afinal?
Onde há palavra não há final. Final é palavra afinal.
Essa coisa toda me lembra uma grande farofa.
Falando em farofa, o F é tão sonoro não é? Ô letrinha boa!
O F não tem freio, nem a palavra.
Final é a foz
Ainda mais agora.
Aqui, até o fosso tem foz.
não falemos de porra, simplesmente: falemos da coisa toda: o suor que se empoça na barriga, os grunhidos, os cabelos que se colocam entre os dentes, os dentes em si: é riso, é choro, é raiva? há os lençóis úmidos de suor e de... porra. voltemos a falar dela então: no fim, a porra são as reticências.

quão velha essa velha é?

afinal: há final?
Olha que já entrei num sono tão profundo por causa destas más línguas que até sonhei adentrar a Academia de Letras.
É...Quando não lambe bem é foda.
Foda não, pois se fosse foda seria bom, já diria o Sábio Coito.
É que não é só uma questão de boa língua, sabe como é... Tem a questão do ritmo, e essa porra toda. Mas deixa a porra pra lá. A porra é só no final.... Ou deveria ser.
A porra é o ponto final?
Não hei de me ofender. Sou puta sim, pois veja! Há os que dizem: "sou amante da palavra, trepo com ela como ninguém". Costumam chamar esses coitados de escritores, poetas, versejadores, amantes da boa língua. Se é boa essa língua, não sei, porque nenhum deles ainda utilizou a sua direito; peguei no sono, outro dia, enquanto tentavam. E tentavam, tentavam. Dormi. Vai ser homem, pô! Me usa! Me usa direito! Me faz de gato e sapato que eu me deixo ser todinha tua. A palavra é puta porque é de todo mundo ao mesmo tempo. Sem propriedade, baby: tem pra todos.
Pois bem, vamos por partes: Primeiro cuidaremos da velha com muito tesão no meio das pernas bambas, afinal de contas, tesão não se desperdiça nunca muito menos em situações como esta quando não se sabe o que pode acontecer caso ele se canalize de forma equivocada ou fique estancado em algum membro gramatical, certo Dona Literatura?